Encontro Frio entre Lula e Alcolumbre Indica Distância Política
13/05/2026, 15:04:02
Interação Protocolar sem Consenso
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, tiveram uma interação protocolar antes do início da cerimônia de posse do novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, nesta terça-feira, mas durante a toda solenidade não trocaram nem sequer uma palavra, apesar de estarem lado a lado. Para o entorno do presidente Lula, uma reaproximação das duas autoridades está distante e o episódio mostrou que Lula não tem pressa em marcar um encontro pessoal com Alcolumbre.
Primeiro Encontro desde a Derrota
Este foi o primeiro encontro público de Lula e Alcolumbre desde a derrota histórica que o Senado impôs ao Planalto ao rejeitar a indicação de Jorge Messias para uma vaga ao Supremo Tribunal Federal (STF), há duas semanas. Na sala de togas, área reservada a um núcleo restrito de autoridades, Lula e Alcolumbre se cumprimentaram com aperto de mão e tapinha nas costas assim que chegaram ao mesmo ambiente. Devido ao anúncio do fim da taxa das blusinhas feito no Palácio do Planalto, Lula chegou atrasado à cerimônia, cumprimentou Alcolumbre e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Silêncio e Distanciamento
Instantes depois, todos foram chamados pelo cerimonial do TSE a se posicionarem para compor a mesa solene da cerimônia. De acordo com três relatos de pessoas que estavam nos bastidores, Lula e Alcolumbre não conversaram. Parados em fila para serem anunciados, Lula conversou com a ministra Cármen Lúcia, que passou o comando do TSE para Kássio durante o evento, enquanto Alcolumbre e Hugo Motta interagiam. Na descrição de um aliado de Lula, o presidente não passou recibo de estar contrariado em relação a Alcolumbre.
Avaliação sobre a Derrota de Messias
A avaliação do entorno de Lula é que a derrota de Messias foi orquestrada por Alcolumbre, que desde o início ficou contrariado com a escolha do petista em indicar o chefe da Advocacia-Geral da União (AGU). O senador defendia o nome de seu antecessor, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), um de seus principais aliados. Publicamente, Alcolumbre nega qualquer atuação nesse sentido.
Conflito no Cerimonial
O momento mais constrangedor da cerimônia ocorreu quando Alcolumbre foi o único integrante da mesa da sessão solene que não aplaudiu o advogado-geral da União em uma salva de palmas puxada pelo presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Beto Simonetti. Ao discursar, Simonetti propôs a referência a Jorge Messias. O AGU recebeu 30 segundos de aplausos da plateia e da mesa solene. Alcolumbre está sentado ao lado do presidente Luiz Inácio da Silva.
— Cumprimento a advocacia do Brasil, nas pessoas dos diretores do conselho federal presentes, mas cumprimento especialmente a advocacia brasileira na pessoa de um querido amigo que é o AGU Jorge Messias — disse Simonetti.
Perspectivas Futuras de Aproximação
Para aliados do petista, Alcolumbre "vestiu o chapéu" ao agir dessa forma e assumiu publicamente que trabalhou contra a o AGU, o que o senador nega. Também consideram que a interação fria entre Alcolumbre e Lula mostra que ainda está distante um gesto de aproximação ou mesmo um encontro pessoal entre os dois.
